quinta-feira, 18 de maio de 2017

A República (ou o que sobrou dela)

O cenário não poderia ser mais catastrófico. E essa frase, Brasília já provou que é muito perigosa, porque sempre pode ser mais catastrófico.

O presidente Michel Temer envolvido em esquemas de corrupção não pode ser encarado como uma crua novidade. Porque não é. O inédito da situação é que, dessa vez, uma delação ESPONTÂNEA e repleta de PROVAS veio à tona. Joesley Batista, dono da maior empresa de proteína animal do planeta, gravou o presidente corroborando com propina e, em suma, mostrando a quê veio. Não satisfeito, Joesley entrega o já cachorro morto Aécio Neves com grampos similares.
Há pouco, o ainda presidente Temer foi enfático e, em tom intransigente, foi categórico: não renunciará! Ora, é interessante observar a espécie de coragem encontrada na política brasileira. Políticos implicados até o pescoço, com provas inquestionáveis depondo contra os mesmos, usam o sistema e a mídia para passar uma mensagem austera à população. Mas e então, qual foi a mensagem passada por Temer?

No pronunciamento, Temer fez questão de falar dos números da economia. Disse que é inegável o avanço econômico que seu governo está proporcionando ao país. Nesse ponto, vale lembrar que a população em nada tem a ver com essa tal “economia”. E que economia, como está sendo realizada, não vê pessoas, vê números. Principalmente os que saltam das contas lucrativas de bancos e entidades financeiras. Dito isto, a opção do famigerado mercado é clara: #ficaTemer

Num segundo momento, o presidente nega veementemente que tenha autorizado compra de silêncio de quem quer que seja, para quem quer que fosse. Diz ainda que “gravações clandestinas” não podem tirar o país do rumo. Pergunto-me se podemos esperar que Michel Temer aceite fazer uma “gravação não-clandestina” para tudo entrar nos trilhos. Diferente do que ocorreu com Dilma, Michel Temer teve suas intenções mais repulsivas gravadas por um empresário, que as entregou ao poder público. Dilma, enquanto presidenta, foi grampeada com o ex-presidente Lula, a mando da PF e tais grampos VAZADOS por um juiz federal. Sim, Sérgio Moro. O famoso dois pesos e duas medidas.

Aliás, vale a pena discorrer sobre o citado. Joesley Batista, talvez sem esta intenção, ensinou para Moro o que é uma delação com provas. PROVAS. Sérgio Moro, o querido dos gladiadores políticos brasileiros, teve seguidas oportunidades de saber mais sobre o envolvimento de Michel Temer em atos ilícitos. A julgar pelo áudio de Romero Jucá, a julgar pela dezenas de perguntas que Eduardo Cunha endereçou a Temer e que "morreram na praia" porque Moro não achou conveniente. E muito cuidado com a dita coragem dos políticos brasileiros, explicada acima. Temer não é um suicida. Se os áudios e vídeos ainda não foram divulgados à população, não seria de se surpreender que sumissem numa magistral coincidência. Assim como sumiram Teori, Eduardo Campos, Ulysses Guimarães e tantos outros. Assim como pode sumir, também, o primo do Aécio...aquele, que foi o sorteado para pegar a grana.
O apelo é claro: divulguem o material e que a população faça seu juízo.

Quanto ao resto, é de igual interesse analisar todo e qualquer político que, porventura, tenha provas contrárias aos seus argumentos. Mas não sejamos tolos e nem criemos “corruptos de estimação” como a direita tola e órfã propaga nas redes sociais. Estimemos a democracia e o livre direito de defesa. Estimemos provas no lugar de convicções. Estimemos áudios enfáticos, vídeos contundentes, e não pedalinhos ou apartamentos em nome de terceiros.


O julgamento,e posterior condenação, só podem ocorrer com PROVAS. E a sociedade brasileira acaba de perceber o que acontece socialmente quando PROVAS são encontradas.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

A CRIATURA ENGOLIU O CRIADOR

Quinta-feira, 07 de Julho. A política brasileira tem uma relação estreita com o inverno. Paradoxalmente, é no frio que as coisas pegam fogo em Brasília. Se for contar Agosto, tem evento pra lá de quente. E Eduardo Cunho decidiu nos brindar com mais um em Julho. Renunciou, hoje, à Presidência da Câmara dos Deputados – já longe de ocupar o cargo outra vez – em mais uma manobra.

Engana-se quem acreditou nas razões expostas por Cunha. Que dirá quem chorou junto às lágrimas do deputado. Há de se convir que, de longe, Cunha foi a maior raposa já vista nos últimos tempos, em Brasília. O problema é que, tamanhas eram a inteligência e a reincidente desfaçatez, que ele não contaria com o próprio azar. Também pudera: responsável por encabeçar a resistência ao mais longo processo de cassação da história da Comissão de Ética (enquanto isso o processo ainda tramita), é também o algoz de Dilma Rousseff pela abertura do processo de Impeachment da Presidente.

Há, sem dúvida, planos muito maiores do que as mais criativas mentes possam imaginar. Mas trata-se, inequivocamente, de um derrota ao deputado. Cunha se viu forçado a renunciar, mesmo repetindo seguidas vezes, ao longo das últimas semanas, que não o faria. O presidente afastado da Câmara criou uma criatura maior que si mesmo e, portanto, de insustentável domínio.

Eduardo Cunha, em tom nauseantemente emocionado, decidiu pela renúncia para encontrar um breve suspiro de esperança em sua carreira política. Digo como político, de fato! E não como o ator de lobby que sempre foi.

Enquanto isso, a Comissão de Ética anda tal qual um saci. O novo relator do processo aconselha a comissão a anular a última votação favorável a cassação do deputado. Cunha fez filhotes.

As cenas dos próximos capítulos são claras, o que tira o interesse do público. Cunha fez um acordo com o Planalto e com o chamado “Centrão” para que o próximo presidente da casa seja “um dos seus”.

Do Planalto, o que vem não mais me assusta. Acredito quando Temer diz que não possui objetivos eleitorais. Uma candidatura do presidente interino em 2018 seria, no mínimo, vontade de rasgar dinheiro. O que espanta é a ação deste partidos que compõem o centro de se aliarem ao que há de mais tosco e escroque no cenário político nacional, ignorando toda a revolta popular que acontece, não distante, às margens do próprio Congresso Nacional.

E nessa, a população espera a condenação de Cunha pelo STF; o fim do mandato de Bolsonaro, por motivos que se tornam redundantes se expostos depois da palavra “Bolsonaro”; dentre outras coisas.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

A Melancolia da Derrota

Domingo. 17 de Abril do ano de 2016. Qualquer brasileiro que ligasse a TV a partir das 14h estava apto a assistir qualquer coisa, menos política! O que tomou conta do país ontem foi um processo que não fez vitoriosos. Mas serviu para afundar ainda mais suas vítimas: aqueles mesmos brasileiros que ligaram a TV.

O circo armado na Câmara Federal e, posteriormente, a apresentação das atrações principais deste circo corroeram a esperança do país em dias melhores. Claro que é público e notório o erro ao tentar resolver a atual situação brasileira com um processo de impeachment. Mas ontem foi diferente. Ontem a democracia assumiu estritamente o papel de dar voz a todos. E deu! Deu voz, inclusive, a quem não tinha nada de bom a falar. Deu voz a quem sabia o que falar e não falou. Deu voz a quem era melhor não ter falado. Deu voz a torturador, a fascista, a ladrão, a palhaço...

De todas as representações que usaram da palavra ontem, na Câmara, poucas me chamaram tanta atenção quanto a das mulheres favoráveis ao processo de cassação da Presidenta. Mulheres -  algumas negras, outras brancas - que falaram em prol do machismo melhor do que qualquer homem o faria na ocasião. Mulheres que ignoraram (ou na melhor das hipóteses e na mais ingênua, esqueceram) o que é ser mulher ao redor do mundo e, principalmente, no Brasil. Foram ao microfone corroborar com a ínfima participação feminina na política. Mulher que enalteceu o marido preso horas depois. Mulher que enalteceu o presidente da casa, que é contrário a ela.

Mas, verdade seja dita, tivemos as Jandiras, as Erundinas, as Marias...
Destaco aqui meu respeito pela Deputada Federal Margaria Salomão que fez e faz discursos brilhantes orgulhando homens e mulheres que, independente da ideologia apropriada por cada um, se identificam na convicção republicana da congressista.

Tivemos os Ivans, os Chicos, os Jeans que demonstraram a sensibilidade que o brasileiro consciente teria, naquele momento. Vimos horrores proferidos pelos abutres de sempre. Vimos Bolsonaro glorificando Ustra, o torturador. Vimos Deus votando. Nossa, como deus votou! Sinceramente, a pessoa que vos escreve não esperava isso de Deus. A família, a grande família brasileira se fez presente, reacionária como nunca. Infelizmente, alguns deputados ontem deixaram claro que não serão mais permitidas trocas de sexo de crianças, e isso é muito triste.
O processo beira à piada, mas é escárnio dos mais graves.

E a segunda-feira amanheceu áspera, até meio apagada. O desagrado dos derrotados impera nos vagões do metrô, nos pontos de ônibus, nas ruas em geral. Refiro-me aos 200 milhões de derrotados. Aos que nem sabem ainda que o são. Aos que vivem o (nem tanto) inocente vislumbre da ilusão. Brasília, ontem, pareceu uma metralhadora descontrolada, com poder de fogo suficiente para atingir todo o país. Cumpriu seu papel e se manteve de pé. A arquitetura de Brasília foi pensada no sentido de conferir a segurança dos congressistas, com seus gabinetes subterrâneos. Ontem, a história provou que até a arquitetura estava errada. Mais seguro seria submergir o resto do Brasil!

Que o episódio de ontem não levante nenhum brasileiro a lutar contra seu próprio povo. Por mais que a viabilidade do discurso "mas lá é a representação do povo que temos" seja verdadeira, vale a pena lembrar a informação veiculada pela Mídia Ninja: Só 36 daqueles deputados foram eleitos por seus próprios votos. Os outros 477 lá estão pelo sistema que soma votos de legendas e coligações. 
Que não nos levantemos contra o povo, mas sim contra o sistema falido, que já não representa mais nada a não ser a vontade escusa de congressistas abutres.

A melancolia da derrota está presente sim. O sumido Aécio Neves, em seu discurso de derrota nas eleições de 2014, disse: "a Presidente Dilma ganhou perdendo e nós perdemos ganhando". Era a primeira porta a ser aberta ao golpe. Mas, no dia de hoje, a frase faz sentido se considerarmos que qualquer um que se sentiu vitorioso, na noite de ontem, GANHOU PERDENDO.


sexta-feira, 1 de abril de 2016

O GOLPE DENTRO DO GOLPE

Parece repetitivo escrever sempre e, sobretudo, agora a respeito do assunto. Mais de uma vez, já foi dito aqui neste blog que a história política brasileira é cíclica. Os fatos recentes só comprovam a afirmação. O maior partido político da república sai do governo, pela primeira vez em quase 30 anos de redemocratização. E essa saída, embora nova, diz muito a respeito do passado.

Seria espantoso se não fosse explicável. O PMDB sempre contou com o oportunismo de suas bases e de seus caciques. A tática de maleabilidade que a sigla adotou para se perpetuar como coadjuvante no poder parece se esvair, agora. Mas só parece! Nenhum movimento do partido é abrupto ou impensado.

O que acontece de inédito neste momento é que, agora, há um racha considerável e visível que ameaça destruir a lógica adotada por seus integrantes ao longo do tempo. Nomes de peso como o da Ministra da Agricultura, Kátia Abreu, e o do senador Roberto Requião (PR) - que foi bastante contundente ao criticar a jogada do partido e sugerir um golpe aplicado pelo Vice Presidente, Michel Temer - podem indicar uma crise interna.

Além de deliberar a entrega de, aproximadamente, dois mil cargos comissionados e os postos ocupados no segundo escalão do Governo Dilma, Temer e Eduardo Cunha fizeram valer a tática maquiavélica de abandonar o barco para pegar carona em outro. Usando um interlocutor conhecido pelo governo, a bancada decidiu engrossar os quadros da oposição federal por aclamação. Romero Jucá (RR) liderou as vozes dissonantes – porém, não consensuais – que debandaram da administração. Este, que já foi líder dos governos Lula e Dilma, agora adota de bom grado a estratégia traçada por Temer para enfraquecer Dilma e possibilitar a já dada como certa “administração Temer”.

Enquanto isso, se desenrola em rapidez inversamente proporcional ao processo de impeachment, o processo de cassação de Eduardo Cunha (RJ), atual e - pasmem - ainda Presidente da Câmara. Como se não fosse susto suficiente, terceiro na linha sucessória da presidência da república.

No Poder Judiciário, parece que a voz do juiz Sérgio Moro foi calada. Pelo menos, momentaneamente. Com indicação do procurador Janot, os ministros do STF decidiram ordenar que a “investigação” contra Lula seja tocada pela suprema corte, e não mais por Curitiba. Isso abre espaço para a possível aceitação da nomeação de Lula para a Casa Civil. Na interpretação de Teori Zavaski, o Supremo não pode interferir nas decisões - amparadas por lei – do Poder Executivo.

De resto, nos é imposto ir às ruas e lutar para que a democracia não seja perdida ou subtraída. Interesses escusos movem o processo de impeachment e arrastam grandes nomes da direita brasileira para um abismo de ódio e indignação seletiva que surpreendem os mais céticos.


O jeito seria esperar e apostar, se espera e aposta não fossem tão perigosas neste momento. É tempo de luta!

quarta-feira, 16 de março de 2016

Lula e o cerco

“O país está chocado, está atônito.” Não, o dia de hoje é “mais um dia normal” na recente história política brasileira. Não estou me dirigindo a eleitores. Dirijo-me à massa que não se permite entrar na discussão acéfala de “quem é o responsável”.

O episódio de hoje pode sim entrar para a história. Não é brincadeira um ex-presidente entrar para o hall dos ministros de um governo que ele mesmo se empenhou em eleger. De um governo que ele fez de tudo para eleger!
Lula na Casa Civil, ou em qualquer cargo do atual governo é um erro. Fomenta fanáticos e acirra o mata-mata que se tornou nossa política. Não é o fundo do poço porque, como o Brasil não é para iniciantes, sempre podemos nos surpreender. Mas, curiosamente, há uma explicação (que nada me agrada) para a jogada: não podemos esperar reações políticas equilibradas de ações jurídicas desequilibradas.

Quando a Presidenta Dilma fala que foi o seu governo que mais lutou contra a corrupção no país, ela não está errada. Qualquer ânimo exaltado pularia da cadeira com esta afirmação, mas analiticamente falando, legislativamente falando, nunca houve um combate intrínseco à corrupção como o dela. Medidas de coerção, PEC’s que neutralizariam parte da banda criminosa, redução de salários... Pode-se questionar a demora do processo, mas o processo em si, não.
Quanto a Lula, trata-se de um líder (embora o coro dos insanos não queira admitir, ainda é um) que, sentindo-se ameaçado, lança mão de todos os dispositivos legais à disposição para permanecer no posto de líder. Digo legais, visto que pode não ser imoral assumir tal cargo nesta altura do campeonato. Mas há uma cartilha pouco conhecida, por muitos esquecida, chamada Constituição Federal que assegura a Dilma o direito de montar o ministério que lhe convir. Comigo, com Lula, com Aécio, com você...

Lula não está assumindo qualquer tipo de culpa tomando esta decisão precipitada. É, apenas, uma resposta conturbada a um processo jurídico esquizofrênico que o torna réu da opinião pública. É sempre importante lembrar que ACHAR que alguém é culpado não torna esta pessoa culpada. É, até o momento, inclusive uma informação confirmada pela juíza de SP lotada de julgar o pedido de prisão preventiva, apenas uma suspeita! Não há provas.
Poderíamos estar discutindo até onde o insano Eduardo Cunha vai chegar, ou quanto tempo irá demorar para que Aécio, penta campeão em citações nas delações premiadas , pode seguir sem nenhum processo. Mas não: a discussão mais importante é como acabar com um governo que mal se mantém em pé por conta própria.

Não me convencem as bandeiras manifestantes que dizem “meu partido é o Brasil”, ou então “não importa qual o partido do corrupto, quero todos na cadeia.” Até porque, ironicamente, só se ouvem essas vozes quando a manifestação é claramente da direita.
Perdeu-se a sensibilidade para o simbólico, e o brasileiro só está focado no prático. O simbólico, neste caso, é estar numa manifestação anacrônica, onde uns pedem monarquia, outros ditadura, deposição, renúncia... Qualquer manifestação política séria prima pela unidade de raciocínio. E esta não está cumprindo a premissa.


Sinto que nada mais falta aos tímidos apoiadores da direita ou aos aguerridos, senão reconhecer que os heróis de outrora (Japonês da Federal, Eduardo Cunha exaltado na mesma manifestação num passado pouco distante, Aécio Neves) estão a léguas de vantagem do Lula na corrida para a forca. O problema da esquerda é, talvez, um fanatismo que a cega. O da direita é apontar o dedo para este mesmo fanatismo como se não estivesse fadada ao mesmo fracasso.

quinta-feira, 10 de março de 2016

Remake de 64

Poderia até ser exagero, mas ao que tudo indica é premonição. De fato, 1964 parece não ter acabado e parece que 2016 foi o ano escolhido para o remake, ou a continuação.

A elite era a mesma: iludida e ilusória. Iludida da fraqueza do inimigo e ilusória da perseguição alheia. Ou melhor, da necessidade de perseguição alheia.
Aqui, não há meias palavras: "alheia" refere-se a Lula. A meia dúzia de famílias midiáticas brasileiras não suporta a ideia de escapar por entre seus dedos o mesmo erro. Não faz sentido algum permitir que o velho retome seu poder junto ao povo. E de tão cegas vislumbrando um objetivo, se esquecem ou apenas ignoram o fato de o poder do velho não pode ser retomado. Só se retoma o que foi perdido!

Só que, como tudo, ao passar dos anos a coisa se moderniza. Com o golpe não poderia ser diferente. A frente midiática está de mãos dadas com a frente da "justiça". Isso porque, podemos supor sem medo de errar, que a "justiça" anda querendo mídia e a mídia, por sua vez, que por em prática seu plano reprimido de virar justiça. 
Já o faz, uma vez que o que se veicula não é mais notícia, e sim julgamento!

Provando a tese, um juiz qualquer (qualquer, por enquanto!) pede a prisão preventiva (?) de um ex-presidente da república. Ora, é a de Collor e seus desvios de caráter comprovados? Ou então a de FHC e a manutenção de uma relação extra-conjugal com dinheiro público? Não, claro que não! Obviamente é a do operário que, vivendo no "país da impunidade" se aventurou em roubar um sítio para si, colocar ali uns patinhos da lagoa, e claro, comprar um estupendo...barco de lata.

Quero ser o primeiro a pedir a prisão de Lula, confirmados estes delitos. Porém, quero criar um novo artigo no código penal que abranja o crime de burrice contra o dinheiro público.
Sim, porque influente e bem relacionado como a mídia o pinta, roubar um sítio que nem é lá essas coisas e uns pedalinhos que nem motorizados são é muita burrice. "Quer roubar, que roube direito!"

Parece que perdemos a sensibilidade para o ridículo. Não é uma questão de defesa de maçãs menos podres. Se são podres, devem cair. Mas me desagrada a ideia de que ele, assim como qualquer civil, possa ter uma prisão preventiva decretada sem ao menos estar se opondo a qualquer investigação.

Lanço aqui uma proposta de reflexão e um aviso à dita oposição: esta semana, o que temos mais próximo de imprensa noticiou o possível convite feito pela Presidenta Dilma a Lula, lhe oferecendo um ministério. Cargo útil em tempos de caça às bruxas. Lembrando que, ocupando o cargo, ele teria foro privilegiado e se livraria dos Moros ou Consertinos da vida. Não só não o fez como desmentiu à mesma imprensa este convite.
Com isso, observando o curso do estado de exceção e do futuro estado de golpe deflagrado, estaria Lula deixando o barco correr?

Protejam-se, senhoras e senhores: com Lula preso, ninguém garante nada neste país! A oposição não vai conseguir domar o monstro criado.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Ano Novo, Política Velha

A virada do ano é o momento em que concentramos todas as energias ruins do ano que passou, juntamente com toda a esperança para o período que se inicia. É o período de eterno desejo de renovação que toma, não só brasileiros, mas qualquer nacionalista.

A julgar pelo grave momento que estamos passando, vale a pena refletir. E refletir, nesse sentido, vai além de se chegar a mesma conclusão, sempre: o Brasil vai mal. A proposta não é aceitar os fatos, mas entender os motivos.

A história é cíclica e, com o Brasil, não podia ser diferente. Na República Velha já se podia encontrar a mesma configuração parlamentar que temos hoje. O jogo político era igual e poderoso de tal forma que a única diferença de mais de 80 anos para cá, é que o disfarce melhorou. Se, no início do Governo Provisório, assumido por Vargas em 1930, o cerceamento do congresso era aplaudido e corroborado, sem exceção, pela mídia nacional, hoje em dia esta mídia adquiriu tamanho poder que pode facilmente se configurar como uma potência independente e seguir um rumo oposto ao do Estado. Explico! No início da Era Vargas – e até mesmo em regimes anteriores – já se observava que imprensa trabalhava em prol de seus interesses no Congresso. Estes interesses eram diretamente financeiros, visto que o Governo Federal mantinha determinados órgãos de imprensa sob gordas mesadas, que garantiam a manutenção da “boa relação” entre mídia e políticos da situação. Independente de ideologia, esta prática parecia ser normal no início do século passado. O próprio Getúlio - segundo apurou Lira Neto na biografia do político – enquanto presidente do Rio Grande do Sul (cargo equivalente ao de governador, atualmente), mantinha repasses mensais ao principal jornal do estado, que defendia os interesses do PRR, sigla a qual Vargas pertencia.

Quando a revolução, ou golpe, que levou Vargas à presidência chegou ao Rio de Janeiro, os revoltosos atearam fogo aos principais órgãos de imprensa vigentes á época: A Noite, Folha da Manhão Paiz, entre outros. Estes órgãos encobriram, até onde foi possível, a evolução do levante que vinha desde o Rio Grande até o Rio, por via férrea.

Outra curiosidade sobre a época, que diz muito a respeito do atual momento, é que é extremamente recorrente encontrar sobrenomes conhecidos por todos nós, hoje em dia, ocupando cargos relevantes na política de 1930. A família Collor, por exemplo. Presente no Congresso Nacional com os ascendentes mais antigos do ex-presidente Fernando Collor. Daí o fato da política ser cíclica: os atores são sempre os mesmo, nadando e se adaptando a mercê das correntes e marés.


Sem qualquer defesa política, mas é inegável que os dois únicos presidentes que tivemos, e que não possuem nenhuma ligação parental com outros ocupantes de cargos importantes na história do país, são Lula e Dilma. A renovação é extremamente importante, para que se oxigenem as instituições. Muitos defendem o fim da reeleição com este mesmo argumento. É um assunto polêmico que pode ser tema de uma próxima postagem. 

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Adeus, sanidade!

Corram! Enquanto puderem, corram! Não para fugir, ou salvar a própria pele - e somente ela! Corram porque o tempo está passando. Não como passava antes, com a comum inconstância das coisas, ou mesmo com a própria percepção pessoal de que havia menos tempo a cada dia. Que ironia! O tempo encontrou outro motivo para passar, e escolheu passar rápido. Escolheu porque não tem valido a pena se demorar. Não faz mais sentido ficar. O Brasil onde não se corria da morte por falta de árvores, já não existe. O Brasil da fome extrema também não. Corram? Espere, ainda tem o Brasil da impunidade, corram! Mas eu nunca vi prenderem tantos e tão importantes. Mas deve ser porque somos novos, e nunca vimos muita coisa. Não vimos, por exemplo, uma briga de três lados: dois lados defendem, cada um, sua visão. O terceiro tenta defender o direito de ter visão. Parece confuso entender a correria? Então, não corra! Entenda.

Não é uma fase, porque fases duram pouco. Há tempo mais que suficiente, o país está vivendo uma crise estranha e mal explicada. E quando o assunto é crise, parece que só a palavra já gera sua essência! A começar pela crise econômica: um absurdo! Mercado, gasolina, luz, água...! Tudo efervescendo enquanto a única coisa que não prolifera é o salário. Logo o salário que tinha tanto valor, no passado! Não tinha? No passado não tinha essa de reclamar do mercado, da água, da luz...tinha? Tinha! O que não tinha no passado, então? No passado, não tinham as pessoas que hoje reclamam que as coisas do passado eram melhores. Entendeu? Dá pra melhorar: todo mundo tem o direito de reclamar, se achar que a coisa não está fácil. Mas o direito de todo mundo reclamar termina no momento em que a solução apresentada é motivo pra outra crise começar. Tem crise? Tem crise! Tá difícil? Como sempre! Sem essa de que agora tá insuportável! Continua difícil. E se é pra reclamar de soluções frágeis, vamos começar a reclamar, também, de governos frágeis. Este, o último, o penúltimo... Não me lembro de mamãe falar do preço da carne, só semana passada! Na verdade, até onde minha curta memória me permite chegar, não lembro de mamãe feliz no mercado!

Mas economia é coisa de economista. O que eles chamam de "números", a gente chama de "gente"! Falemos, então, de política. Nossa...essa sim, que crise! Essa pessoa que está aí nesse cargo...essa mulher aí, que coisa! Alguém tem que tomar as rédeas dessa situação! Onde já se viu ficar cedendo avião, com dinheiro do povo, pra artista passear?! Ah, não! Essa não foi ela! Foi o outro lá, aquele neto do outro, que não chegou a ser! Mas ela quer prender caminhoneiro, não quer? Tira ela! Tem que tirar! Tira e coloca o que veio antes dela! Aquele sim, daquele a gente não reclamava! Reclamava? Bom, então trás o que veio antes dele, ou um amigo, não sei... Não é possível que essa gente reclame deles, também. Reclama? Então, deixa ela. Mas quieto não dá pra ficar! Não tem um dia que o jornal não fale mal deles...dela! Não tem um "boa noite" que o Bonner me dê, que não seja com aquela cara de que a coisa vai mal. Por causa deles...dela! Eu não quero e nem preciso viver num país onde ela faça o que bem entende e roube cada dia mais! Ela? Como pode? Apanhou tanto dos milicos e não aprendeu! Não é dela aquela conta lá no estrangeiro? Ah, não. Confundi! É daquele outro que o pastor falou, no culto de hoje. Mas tem que provar antes de prender, né? Deus me livre acusar algum inocente! Ainda mais ele, que o pastor disse que é contra essas coisas de aborto! Mulher que não se dá ao respeito, agora quer resolver o problema matando um inocente...puta!

Falando sério? Não dá pra defender quem rouba! E, mesmo que não roube, como defender gente que consente? O governo, ou quem defende ele, está "errando na mão" ao se calar para a bagunça em que o país se tornou. Assim como quem defende a oposição - que só é oposição enquanto não está lá - tem que parar de querer que todo mundo engula "o qual belo seria o Brasil se o PT acabasse".

Num país de várias crises, peca quem se excede, na acusação e na defesa! Os caminhoneiros estão parados pedindo a saída da presidenta por que são só caminhoneiros preocupados com o futuro do país? Não se engane! Lula é o sinônimo da pureza política? Não seja tolo! Aécio revolucionará este país com o PSDB? Ilusão! A presidenta Dilma é péssima por que a escola da sua rua está sem verbas? Sim, inclusive é o mesmo que culpar a saia da sua filha pela olhada indiscreta do machão na rua!

Não é que tudo seja uma questão de perspectiva: tudo é uma questão de perspectiva certa! Suplico aos poucos que ainda não foram contaminados pelos jornais com essa briga fantasiosa de "direita e esquerda/situação x oposição" que se apeguem às provas mais do que às suposições. Que façam seus julgamentos menos "pelo que parece ser" e mais "pelo que está comprovado ser". Não é fácil com a mídia que temos, com as novelas que temos, com a cultura que temos. Mas, também, não é fácil viver com o salário que a gente vive. E no entanto, olha a gente aqui: eu escrevendo e você lendo!      

terça-feira, 27 de outubro de 2015

A crise e o circo

Em tempos de desconfiança ampla e geral nos rumos do país, tanto política quanto economicamente, uma coisa é irrefutável: não há marasmo quando o assunto é Brasília. A despeito das novelas seguidas pela população, a "novela Brasil" não pode ser compreendida assistindo a um ou outro capítulo. A trama muda, os personagens assumem nova postura e o enredo acaba sempre caótico. A última semana fez com que, até os mais descrentes, se contorcessem em súbitas surpresas, se estarrecessem com impensadas decisões e se frustrassem com infundados retrocessos.

Em ordem cronológica: parece que Eduardo Cunha se comporta como um funcionário insatisfeito que, ou sabe que será mandado embora e, por isso, faz o que bem entende, ou quer ser mandado embora e, para isso, precisa chamar atenção para suas loucuras. Em apenas uma semana, os retrocessos se acumularam em decisões polêmicas dos órgãos federais. Comissões que deveriam primar pelo cuidado com o que é público, com a justiça, com o que prevê a constituição, ignoram seus afazeres e tornam o sistema ainda mais anacrônico e esquizofrênico. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei de autoria do excelentíssimo presidente da casa, de tornar crime a chamada "conivência" com o aborto. Em suma, estaria vetada a venda e o fornecimento de substâncias abortivas. Nesse aspecto, vale lembrar que cabe ao farmacêutico, por exemplo, se recusar ou não a vender a conhecida pílula do dia seguinte, mediante "sua consciência de que aquilo possa ou não ser abortivo".

Como se parecesse absurdo suficiente, o projeto ainda prevê que casos de estupro, por exemplo, que bastava a palavra da vítima, agora sofram a comprovação mediante boletim de ocorrência atestado por uma autoridade policial. A situação de total desprezo pela condição da mulher nesse aspecto se intensifica com uma espécie de adendo de humilhação, onde a situação precisa ser comprovadamente policial. 

A farra com o parco progresso alcançado pelo Brasil ainda continua, se formos analisar os retrocessos que a comissão especial (também da Câmara) imputou sobre a definição de família, na constituição. Definitivamente, não se trata mais de formar um cidadão, mas sim um ferrenho "religioso" defensor da famigerada manutenção da moral e dos bons costumes. Como se moral e bons costumes fossem observados na formação política brasileira, ou mesmo na própria história do país, enquanto uma nação heterogênea.

Como um lampejo de esperança e, contra toda a intolerância mostrada por boa parte dos parlamentares, o MEC deu um grande passo rumo a um projeto de educação um pouco mais justo, ainda que modesto. O tema da redação deste ano tratou da violência de cada dia, contra a mulher brasileira. Conservadores se contorceram, autoritários esbravejaram mas todos eles foram obrigados a ver seus filhotes em situação de total desconhecimento do tema, frente a uma prova importante, quer fosse a classe social do candidato. Parece uma ação muito menos educativa do que, de fato foi, mas como as redes sociais disseram, os machistas foram obrigados a conceber uma visão completamente diferente da deles. Afinal, era o futuro que estava em jogo. Ironicamente, era o futuro que estava em jogo!

Para finalizar, ontem o ex presidente da república FHC, foi sabatinado pelo programa Roda Viva, da TV Cultura. A "sabatina" lembrou mais uma reunião de amigos que, há muito, não se viam e estavam ali para matar as saudades. A bancada era composta pelos representantes dos baluartes do jornalismo brasileiro. Estavam presentes: Folha, Veja, Época, Estadão...

Pasmem - até que se entenda o real significado deste ponto fora da curva, afinal quando se trata de uma aparente fraqueza do sistema, sempre nos surpreendemos - a jornalista Eliane Cantanhêde, representando o jornal Estado de São Paulo, indagou Fernando Henrique Cardoso a respeito de seu papel atual, que "a sociedade espera mais" dele e que "a opinião pública espera mais do acadêmico, do ex-presidente, do homem como referência". Pois é, tudo bem que o ex-presidente Lula está tendo um papel de protagonista muito além do necessário, e que, por vezes, confunde e até questiona a autoridade da Presidenta Dilma, mas FHC, independente de suas competências acadêmicas, comporta-se como um irresponsável, acompanhando o falido PSDB na empreitada pelo impeachment.

Aguardemos. 

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Entre a Faca e a Espada

O Governo parece ter encontrado um rumo. A mídia também! A diferença é que o rumo da mídia sempre vai de encontro ao do Governo. De um lado, as proposições para estancar a sangria política que se abateu sobre o Planalto. De outro, jornais e revistas de todo o país clamando por sangue. A guerra só começou!

Ontem, na frente de dezenas de jornalistas - dos mais ávidos por polêmica - o ministro da fazenda, Joaquim Levy, e o ministro do planejamento, Nelson Barbosa, anunciaram as medidas lançadas pelo governo para tentar conter o que parece ser mais político do que econômico. Inegável que o Brasil passa por um período turbulento das contas públicas, e que medidas devem ser propostas e analisadas com todo o cuidado no sentido de dar respostas ao setor financeiro e à própria população. Mas, quanto mais o governo nada contra a maré turbulenta, mais se observa o esforço de alguns setores da sociedade no sentido de afundar a presidente a todo custo. E, com ela, levar Lula, que já ensaia seu retorno. Provas disso são os vários movimentos de impeachtment que tramitam no Congresso Nacional e, no que se refere ao ex-presidente, à divulgação de pesquisas de intenção de voto (para 2018?), onde este aparece em segundo lugar, atrás do paladino da justiça, do menino do helicóptero, o empresário do aeroporto, Aécio Neves.

No sentido de respaldar um processo de recuperação econômica, o Governo estuda relançar a CPMF e cortar vários gastos "na carne", como citou o ministro Levy. Neste corte, aparecem vários anseios antigos da população de redução e enxugamento da máquina pública.

As medidas foram recebidas com otimismo por economistas, que condicionam o sucesso das medidas ao comprometimento do setor público em cumprir as metas lançadas no pacote. Em suma, quase 40% do pacote econômico vêm de cortes orçamentários. Os outros 60% referem-se à volta da CPMF. E, aí, vale a pena dedicar um tempo para entender o que está por trás do imposto e, mais ainda, o que se esconde na intenção oculta de determinados setores em podar a medida antes mesmo que ela dê frutos.

A CPMF é um imposto incidente sob operações financeiras, que visa cobrar uma alíquota de 0,2% em cima de cada movimentação dessa natureza. Isso significa dizer que, sob um empréstimo de R$1.000,00, por exemplo, o contribuinte pagaria R$2,00 de CPMF. Portanto, não há um "peso maior" ao contribuinte na recriação do imposto. O que reclamam, de maneira velada, os grandes grupos, é que a medida é muito eficaz na obtenção de recursos, visto que o imposto é quase "insonegável" pois é retido no ato das operações. Num país onde, estes mesmo grupos, sonegam anualmente milhões e milhões, é fácil entender a resistência em aceitar tais medidas.

Em entrevista ao jornalista Heraldo Pereira, o presidente do Senado, Renan Calheiros, disse ver com bons olhos as medidas propostas pelo governo, e ainda sinalizou que a casa será responsável na análise dessas proposições, balanceando a enorme carga tributária que o contribuinte já paga, com as reais condições e necessidades econômicas enfrentadas pelo país.

Já o algoz do Planalto na Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, disse abertamente que aumentos de impostos não são bem vistos pela casa, de antemão. Vale lembrar que este mesmo cidadão não se opôs a votar determinados reajustes salarias em meio a mesma crise. No fundo, é importante perceber quais interesses defende o deputado Eduardo Cunha que, também em oposição ao Senado, votou favoravelmente - e fez-se aprovar - a permanência do financiamento empresarial das campanhas. Isso, eu e todo brasileiro, sabemos que é como comprar no cartão de crédito: uma hora a conta chega. E os juros são caríssimos.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Quem é que manda?

Toquem as trombetas: o trono está vago!

Não! Não é o prelúdio do apocalipse político nacional, nem mesmo a convocação de um plebiscito para ruir ainda mais a frágil democracia brasileira.

Na verdade estamos nos encaminhando para o equilíbrio tão sonhado dos três poderes. O mais analfabeto dos políticos sabe que a república se constitui dos poderes executivo, legislativo e judiciário, certo? Certo! Mas, não é desta tríplice "aliança" que me refiro. E digo mais, os poderes se renovam e nos trazem a impressão de que todo ocupam o trono, ou mesmo de que ele está vago. Acompanhe a suposição:

Primeiro poder: O GOVERNO
Este, dotado da máquina pública, que faz e acontece e que insiste em favorecer a quem está cansado de ser favorecido, A-N-O A-P-Ó-S A-N-O! Responsável por arrecadar recursos, destinar verbas, vetar, afrouxar, ceder e conter. Cabe a ele zelar pelo bem estar geral e criar políticas públicas que favoreçam a ele mesmo, digo, à população. De posse destas habilidades, este e todos os outros governos ficaram aquém do esperado quando o assunto é povo. O que abre espaço para o segundo poder.

Segundo poder: A OPOSIÇÃO
Esta, majestosa, aglomeradora da massa descontente que, EM TESE, fomenta o equilíbrio entre ideias divergentes. A oposição cresce, e cresce cada dia mais, não por mérito próprio, mas por descrédito do inimigo. O governo tanto se atrapalha que a oposição, mais atrapalhada ainda, "pega o bonde andando" e, por ajuda divina, ainda consegue "sentar na janela".

Mas, espera: se o governo não faz o que deve, e a oposição também não, por que nessa brincadeira o governo cai e a oposição sobe?
Lembra da ajuda divina? Terceiro poder!

Terceiro poder: A IMPRENSA
Com muito pesar, este blog fala mal de sua própria mãe! A imprensa, cuja função enquanto entidade pertencente a um conjunto social é a de tornar público tudo que de relevante envolve a população, deixa a desejar, E MUITO, na atribuição de suas funções. Dela, deveriam partir denúncias, apurações detalhadas, quebras de esquemas nocivos à democracia, etc. Você deve estar confuso, visto que é exatamente o que a imprensa tem se empenhado em fazer nos últimos meses.
Mas ela se vale da premissa de "imprensa para uns, silêncio para outros".

Veja (com o perdão do periódico homônimo a forma verbal): um país cuja imprensa investiga arduamente o possível envolvimento de um ex-presidente da república em esquemas de corrupção, e se "esquece" de um helicóptero, patrimônio de um certo senador, cuja carga transportada se tratava de, nada mais nada menos do que quase meia tonelada de pasta-base de cocaína, não pode se orgulhar de seu jornalismo!

Com muito desgosto, o brasileiro vai vendo se esfarelar a ideia de justiça social, crescimento inclusivo, respeito às diferenças e democracia. Nos acomodamos e aceitamos ouvir da TV o que só interessa à TV, ler no jornal o que só interessa ao jornal e, o pior de tudo, a viabilizar como verdade o que pode estar muito longe dela.

A escravidão chegou ao fim por que vários fazendeiros, de mãos dadas com a Princesa Isabel, tiveram um surto coletivo de consciência social e acharam melhor dar chance ao negro pobre? Não leitor: quando alguém concede um benefício, o concessor se beneficia muito mais que o beneficiário. Assim como quando gritam que a crise está insustentável e o país vai quebrar, é porque alguém está perdendo muito mais do que você.    

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Será o fim da tempestade?

A ventania que assola Brasília e leva a poeira para o resto do país parece estar se dissipando. Há algo de velado na política nacional que nos faz crer, ao mesmo tempo, que as coisas podem se acalmar, como explodir a qualquer momento. Tom Jobim, como sempre, estava certo: "O Brasil não é para principiantes." 

A julgar pela demanda de jovens gerada com a visita de Mujica ontem, à Uerj, parece que num futuro próximo podemos estar salvos da ignorância e alienação política atual. O líder uruguaio foi enfático ao dizer, em entrevista à TV Uerj pouco antes de seu encontro com o público, que estava ali para falar e para ser ouvido, não como um líder, mas um dissipador de ideias. Falou de democracia, dos bancos e, acima de tudo, deixou uma mensagem para os jovens que o ouviam. Essa mensagem parece ecoar de maneira ressonante, sobretudo no atual momento político brasileiro. 

Evitando falar da crise política interna, Mujica citou, ainda, "os aventureiros de uniforme", uma alusão aos regimes militares do continente e ao impensado e irresponsável clamor de parte das ruas para a volta do regime. 

Há, aí, um aspecto muito importante a ser analisado: o que quer o Brasil? De tempos em tempos, fica nítida a imagem de que não estamos escrevendo uma história, mas sim travando uma eterna batalha para ver quem irá segurar a caneta! Nesta semana, o ex-presidente Lula afirmou em entrevista que, se necessário, entrará na briga para que a oposição não pense que o Partido dos Trabalhadores está morto. Lula afirmou a frase acima, respondendo à pergunta de um repórter sobre sua possível candidatura ao Planalto em 2018. 

Tão importante quanto ver Lula ressurgir é analisar, com dados concretos, que a oposição também está atolada até o pescoço em corrupção. Não que isso fosse novidade para alguém, mas algumas pessoas pareciam fazer questão de tapar olhos e ouvidos para o que - de maneira latente - se mostrava. Em delação premiada, Youssef e Costa mencionaram repasse de propina ao senador Aécio Neves e ao ex-presidente do PSDB, Sérgio Guerra. 

Tamanha a repercussão negativa do nome do ex-presidenciável Aécio Neves figurar na lista dos corruptos, que o portal de notícias Uol, ligado à Folha de S. Paulo, noticiou num primeiro momento o nome do senador e, posteriormente, o substituiu por "tucanos". 

Não pode haver combate seletivo à corrupção, tampouco não se pode mitificar ou endeusar o juiz A, B ou C por estar cumprindo seu papel dentro da esfera democrática e da divisão dos poderes constituintes dessa democracia. Há algo de estranho em Moro, mas o jeito é esperar para ver. 

Enquanto essas questões "menores" se desenrolam, a novela acaba, o futebol começa, a cerveja esquenta...

Este blog ainda noticiará que a questão política brasileira tomou o interesse dos cidadãos! Não para depois, para mais tarde...para hoje!


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

RESQUÍCIOS DE UMA GUERRA

    Que a disputa eleitoral de 2014 não foi um mar de rosas, é notório! Um banho de sangue foi observado até pelo eleitor menos curioso e interessado. O que o país não esperava - e ainda tenta se adequar - é que a polarização permanecesse inerte ao fim do período eleitoral. De um lado a candidata vitoriosa que, incessantemente, busca apoio para promover reformas que considera necessárias ao país; e de outro, o candidato derrotado que, dada a expressiva votação recebida parece não saber muito bem qual o seu papel no atual cenário. 
    Dilma saiu enfraquecida de uma disputa onde esforços não foram poupados para destruir sua imagem de gestora e líder. Houve um sentimento nacional herdado das manifestações de 2013 que, sem sombra de dúvidas, é destinado a toda a classe política, mas faz mais estragos na atual gestão, quer seja ela. A oposição, de posse dessa vantagem automática e gratuita, não deixou passar a oportunidade de acusá-la das mais variadas mazelas. De certa forma, pode-se considerar um tiro saído pela culatra, pois a candidata se reelegeu. Mas o estrago, embora minimizado pela vitória, rendeu à presidenta duras críticas, além do fardo de supostamente "prover" males arraigados na cultura política brasileira desde a primeira caravela aportada no novo mundo.
    O papel da imprensa brasileira foi fundamental no período citado. Houve de tudo: colunista perdendo a linha e a vergonha, grandes jornais deixando transparecer o mantra político de suas redações a cada nova publicação, escândalos das mais diversas naturezas sendo revelados "nos 45 do segundo" graças ao bom jornalismo idôneo brasileiro. A ironia dispensa explicações!
   Antenado a essas questões, o Partido ao Meio foi à luta! Pesquisamos e fizemos um levantamento das capas de outubro dos dois maiores jornais do país. A análise, realizada de 05 à 26 de outubro, revelou não só a polarização, mas a necessidade de uma regulamentação da mídia cada vez mais urgente. Há uma tendência no país a tornar opiniões elitistas e minoritárias em opiniões nacionais. 
   O levantamento mostrou que em 78% das capas, direta ou indiretamente, o jornal deixa claramente exposta sua opinião política. Os dados estão disponíveis para qualquer um nos próprios sites de cada jornal.
Acessem e vejam a real necessidade de o Brasil tem de regulamentar e "ressocializar" a mídia nacional. 

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

O INÍCIO DO DIÁLOGO ANUNCIADO

Passada a eleição, os ânimos continuam aflorados. A descrença opositora é indisfarçável e ameaça ser duradoura. Nada que seja alheio à uma democracia! O que fez e faz do Brasil ser o centro da atenção política em tempos eleitorais é a gritante perda de escrúpulos e a curiosidade. A primeira é fácil de entender, dada a repercussão de atos racistas, homofóbicos, étnicos e de toda a natureza sombria. Já a segunda é um misto de pessimismo dos derrotados com uma pitada de revanche, além do imediatismo voraz, exigido pelo mercado financeiro, que teme tudo que não pode prever.

Na quarta-feira (29) o Comitê de Política Monetária do Banco Central (COPOM - Sim, o Partido ao Meio te ajuda com as siglas!), responsável pela manutenção da taxa de juros, decidiu elevá-la em 0,25%, alcançando o patamar de 11,25%. A pergunta do leitor do blog talvez seja "e daí?"! Pois bem, é exatamente onde temos que chegar!
Na eleição o que mais se falou foi inflação, credibilidade da economia, manutenção dos empregos e salários... Errou grosseiramente quem acusou a atual gestão de não ter sabido lidar com a crise econômica mundial. O discurso, quase mantra, repetido inúmeras vezes pela então candidata Dilma Rousseff, frisava a importância de não se ter optado pelo arrocho salarial ou pelas demissões em massa - tal como ocorreu na Espanha, em Portugal, na Grécia - em prol de um modelo econômico autossustentável na medida do possível, e forte o suficiente para enfrentar tamanho problema sem repassar a responsabilidade, que é sabido, sempre caía no trabalhador! O ápice da crise passou, as eleições também! O cenário macroeconômico está se redesenhando a passos curtos, porém cautelosos. Ainda encontramos situações de dicotomia, inerentes às particularidades econômicas de cada país (como é o caso dos EUA que anuncia crescimento de 3,5% no terceiro trimestre, em contradição ao crescimento tímido de 1,2% para o ano, feito pela Alemanha), mas à grosso modo, o pior já passou! O que fez, então, o COPOM aumentar a taxa de juros, que tanto desagrada ao brasileiro? Por que fazer no pós-eleição? Seria uma tática eleitoral defender novos horizontes, mas agir com o velho conservadorismo?

Boa parte das questões apresentadas acima é resultante da enxurrada de interrogações precoces e de intenção duvidosa que nossa imprensa nos enfia, goela abaixo! Mudanças na política econômica já eram esperadas, inclusive encorajadas pela presidenta que anunciou em Setembro, em alto e bom som: "GOVERNO NOVO, EQUIPE NOVA!". Não que a equipe já tenha mudado (aliás essa é outra grande especulação política), mas é importante perceber que a maneira como se tem lidado com a crise está assumindo ares mais...responsáveis! A tentativa de conter a inflação a curto prazo encontrou na alta dos juros a maneira menos agressiva e irresponsável de atingir êxito. Ora, não precisa ser um grande especialista para entender que, aliada às medidas do COPOM, uma redução drástica nos gastos públicos seria o ideal. Mas isso envolve não só tolerância zero à corrupção e revisão de privilégios dos poderes, como também o custo de programa sociais que se mostraram extremamente válidos e benéficos às classes brasileiras historicamente menos abastadas.

Acerta quem aposta num novo mandato mais cauteloso e aberto ao diálogo. Acerta quem aposta num processo de tecnocracia da máquina pública. Infelizmente, a curto prazo é difícil imaginar resolvidos os problemas de aparelhamento de Estado, arraigados nos jardins do Alvorada muito antes da estrela vermelha brilhar no céu de Brasília. Mas a presidenta já acena e flerta com o empresariado brasileiro. Dona da fama de durona que a precede, Dilma pareceu entender melhor que seus adversários ( e isso quem confirma é o povo nas urnas) que a receita é voltar a crescer sim, mas sem abandonar tudo que se conquistou.    

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

OS 460.000 VOTOS DE BOLSONARO

O Partido ao Meio abre espaço, ainda (e como nunca antes) em clima eleitoral, para debater as surpresas e os retrocessos da votação do último domingo. Brasileiros e brasileiras, com insaciável desejo de mudança, foram às urnas como quem vai para uma batalha. O objetivo? Renovar! O resultado? Volte duas casas e jogue o dado novamente!

Uma das grandes polêmicas eleitorais de 2014, sem dúvidas, foi a expressiva votação recebida pelo candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro, Jair Bolsonaro. Defendendo a manutenção do seu mandato no congresso nacional, o deputado arrebatou nada mais nada menos que 460 mil votos no estado. Número vultuoso que concedeu a esta figura controversa o posto de parlamentar mais votado do Rio. Uma liderança da classe ultraconservadora (se é que existe essa classe) que se tornou conhecido no país inteiro pela defesa intransigente de ideais pouco populares e que causam revolta, principalmente na classe liberal ligada à defesa de direitos homossexuais e humanos como um todo.

Dono de declarações polêmicas e combatente fervoroso dos que criticam o regime militar, Bolsonaro é militar da reserva e passou por diversos partidos políticos em sua vida pública, até se fixar no Partido Progressista, antigo PPB. É importante ressaltar que, por mais contraditória que pareça esta filiação, o deputado já foi peça integrante de partidos como o antigo PFL, atual DEM, cuja sigla significava “partido da frente liberal”! Ora, o que enxergar de liberal em Jair Bolsonaro? Católico fervoroso, é divorciado de sua primeira mulher, ataca constantemente políticas raciais e de inclusão social. Também se gaba de ser um ferrenho crítico ao atual governo e às políticas que promovem investigação dos crimes cometidos durante a ditadura, como a criação da Comissão Nacional da Verdade (CNV). Pai de três filhos que seguem como uma receita de bolo seus passos, soube educar e guiar a sua maneira Flávio, Eduardo e Carlos. O primeiro reeleito com mais de 160.000 votos pela câmara carioca. O segundo, dono de 82.000 votos de paulistas que lhe concederam uma cadeira de deputado federal, tal como o pai. Por último, Carlos, vereador quando ainda tinha 17 anos. Todos compartilham as ideologias do pai. Claro, não podia ser diferente!

A grande questão que o Partido ao Meio coloca em debate é a motivação de cada eleitor que, desgostoso com os rumos do país e sedento por renovação e progresso, vota em caricaturas como Bolsonaro! E bate no peito! Temos mais ultraconservadores nos cercando do que supõe nossa vã filosofia? O brasileiro, então, quer varrer do mapa gays, negros, ateus, agnósticos e, acima de tudo, progressistas que defendam o real significado da palavra?

Não podemos confundir os reais anseios da população com a alteração de ânimos provocada por uma ausência cada vez mais gritante do Estado. Isso quer dizer que o eleitor de tipos como o de Jair Bolsonaro não é tão conservador, em sua maioria! O que ocorre é que a população, cansada de tanto descaso por parte do poder público, começa a achar natural a defesa de ideias extremas que tragam uma aparente e instantânea resolução para problemas seculares. “Se as cadeias estão lotadas e as condições de vida de cada preso cada vez mais desumanas, nada mais justo que a punição máxima com quem atentou contra a sociedade”


Casos como este – e somam-se a ele Celso Russomanno, Marco Feliciano e tantos outros – escancaram uma sociedade cada vez mais perdida, desacreditada, com perigosa tendência à práticas nocivas ao estado democrático de direito e que, acima de tudo, reivindica por reivindicar! Se nossas falhas não forem corrigidas, se nossos antagonismos e diferenças sociais históricas não forem combatidos, de que adianta sair às ruas e protestar? Embora tardio e limitado à esfera do poder executivo, o segundo turno cai como uma luva para os que cogitam estudar melhor suas escolhas. Brasileiros de todos os cantos, eis a segunda chance!

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

O DEBATE DOS ABSURDOS

Dezenove pontos no ibope foi a marca atingida pelo debate presidencial ontem, transmitido pela Globo. Uma marca boa para a faixa de horário. Um verdadeiro show, digno de uma campanha do Criança Esperança ou do Show da Virada. Valeu a pena ficar acordado e assistir talvez o único programa de utilidade pública do horário nobre!
Não que o brasileiro estivesse esperando o debate para definir seu voto - pelo menos espero que não, pois se aquele debate definiu algum voto, este se chama nulo! – mas foi, sem dúvidas, mais uma oportunidade de encarar candidato por candidato e entender o que se passa na cabeça deles, qual o tamanho da pretensão que cada um tem ou de dizer que o país está ótimo ou que está péssimo e se tem a fórmula mágica para o sucesso.
De um lado, o semi projeto da direita brasileira chamado PSDB que, desde a ascensão e consolidação do PT, vive dias de confusão mental e crise de identidade. Não sabe o que é, a quê veio, para onde vai... Atrás dos tucanos, os candidatos “mijoritários” que, sem medo de parecer leviano, acredito piamente que o único propósito de estarem ali é minar o partido da situação. Ahhh, o partido da situação! O PT, de todos estes, talvez foi o que mais sofreu com a gênese da existência política. Aliás, peço desculpas ao conceito de “gênese”! Chamar de evolução o que acontece por aqui não parece ser o mais adequado! Historicamente criado com o intuito de representar o trabalhador na política, foi alvo de subtrações de valor, e de valores($$). Um partido de ideais, cuja reputação ilibada agora beira ao ufanismo. Não destaco o PSDB com a mesma ênfase, pois ninguém se transforma numa coisa que sempre foi!

Mas vamos nos ater ao debate!  Entre aplausos infundados à gestão FHC e troca de farpas que mais pareciam pedaços de madeira inteiros, eis que num momento tenso Eduardo Jorge usa de seu direito de fala para incitar Levy Fidélix a se desculpar com a população pela fala preconceituosa no debate da Record, no último domingo. Fez o barulho que queria, mas se a intenção era ouvir a desculpa, foi muito inocente!
Daí vem o Aécio, movido a agressividade característica de um tucano que não sabe bem se caiu no ostracismo ou se ainda tem chances de sobreviver, e levanta um vigoroso dedo contra a candidata do PSOL, Luciana Genro. Esta, por sua vez, rapidamente o repreende e a situação se controla. No mais, era Dilma que se defendia e criticava o Aécio (sim, o Aécio! Das duas uma: ou o PT leu “O Segredo” e de tanto acreditar que é mais fácil enfrentar Neves no segundo turno do que Marina, já toma a possibilidade como real, ou sei lá...uma vontade de se divertir), era Aécio que dominava a arte de rir nos momentos mais impróprios, era Fidélix que interpelava Genro com uma autoridade patriarcal, vulgo esporro!

Aconteceu de tudo um pouco neste debate. Mas a única coisa pra qual ele não serviu foi esclarecer! Mente quem afirma que decidiu seu voto ontem (repito: a não ser que a decisão tenha sido pelo Macaco Tião). Domingo é dia! É evento pra reunir a família em torno do sofá e gritar gol, da janela, pra cada percentual alcançado.


Vote no domingo, faça o possível! Se é mudança que você quer, experimente focar no legislativo. Presidente não muda nada, só dá a direção! Quando dá! O brasileiro pode provar que é inteligente. Não votado no Aécio pra acabar com a Dilma, e vice-versa. Mas pra entender que mais vale uma Dilma governando do que um Tiririca “palhaçando”.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Onde está Lula?

Sem a menor dúvida, o país vive o momento mais intenso e perturbador de uma eleição, desde a redemocratização! As farpas foram substituídas por espadas que, por sua vez, são empunhadas com ferocidade vista somente em batalhas. E que batalha! A quase um mês do primeiro turno das eleições, paira uma estranha dúvida no ar: onde está Lula?
  Presente - direta ou indiretamente - nas eleições presidenciais desde a redemocratização, Lula se consagrou chefe do executivo em 2002 e, desde então, o cenário político nacional voltou sua face ao agrado do ex-presidente. Pragmático, bem relacionado nacional e internacionalmente, soube alinhar política externa brilhante com o atendimento aos anseios da população que, assim como ele na infância, não prosperou num país desigual e marcado pela hegemonia dos grandes blocos econômicos. Lula, impossibilitado pela constituição de concorrer a um terceiro mandato, vê-se obrigado a preparar um herdeiro político para 2011. Nasce Dilma Rousseff. Ministra Chefe da Casa Civil, menina dos olhos de Luiz Inácio. De um lado, a austeridade administrativa imputada pela ministra na pasta, de outro o barulho cada vez mais incômodo e audível no exterior de outra ministra. Marina Silva, assim como Dilma, se projetou mundo afora comandando a pasta do Meio Ambiente na Gestão Lula. Agressiva em suas posturas, a atual candidata demostrava certa intransigência quando o assunto era flexibilizar decisões ambientais em prol dos interesses madeireiros ou do agronegócio. Impensavelmente, Marina e Dilma têm personalidades que mais as igualam do que as diferem. Talvez o antagonismo envolto nesse duelo se resuma, unica e exclusivamente, à natureza do tema defendido.
  Marina se retirou do Governo Lula por não ser ouvida. Dilma se fortaleceu fazendo suas as palavras do presidente. Marina se tornou uma esquerda da esquerda, fazendo oposição a direita oficial e a centro-esquerda de Lula e Dilma. Dilma tentou, de maneira vã, equilibrar a defesa de grandes interesses corporativos com políticas sociais mais abrangentes e ambiciosas. Eis o atual cenário: a presidente se encontra numa situação econômica nada agradável e pouco disfarçável, e Marina se tornou "a terceira via do povo", com claras chances de destituir o Império PT. Claras e muito maiores, diga-se de passagem, comparadas às de Aécio Neves, que provavelmente também morreu naquele avião! Politicamente falando!
Mas é importante alertar que Marina Silva não é a mesma de 2010. Aquela não veria na herdeira do Itaú, o bode expiatório para seus sonhos mais escondidos. Aquela não aceitaria pitaco de um tal de Malafaia...
Já esta parece ceder às pressões da "velha política".
  Mas nosso foco não é este! O que está em questão é muito mais curioso que isto. Com Marina despontando nas pesquisas (alguns sugerem, inclusive, que Aécio Neves pode desistir da candidatura a fim de alavancar a vitória de Marina já no primeiro turno), Dilma parece estar entre a cruz e a espada. Atacar Marina seria audacioso e ingênuo, se partido de alguém com 79% de rejeição. Aplaudi-la seria um tiro no próprio pé. Diante disso tudo, surge a pergunta: onde está Lula? Onde está o pé de coelho oficial do PT? Que estratégia seria essa de aparente omissão frente a crescente onda de renovação da política nacional. Lula parece estar inerte assistindo aos capítulos finais de uma novela que não termina bem para seu partido. Seria um plano? Talvez a velha raposa já tenha jogado a toalha?
  Quer seja o desfecho dessa história, a pior aposta seria desconsiderar o poder e a habilidade do ex-presidente em contornar situações aparentemente perdidas. Vale lembrar a eleição de Haddad em SP.
Façam suas apostas: Setembro promete!

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Sucessão da Tragédia

Após um longo período de reflexões e, por que não dizer, de ampla maturação da política brasileira, volto a escrever sob a luz dos últimos acontecimentos. Foram dias de total turbulência, incertezas múltiplas e fracasso vertiginoso de qualquer avaliação prognóstica que ousou arriscar o futuro do país.

Em questão de dias, perdemos um presidenciável que respondia por 8% das intenções de votos e vimos o país se converter em pena e incredulidade. Historicamente, o brasileiro padece pelas perdas de seus líderes. No próximo domingo, o suicídio de Vargas completa 60 anos; na próxima sexta, após 38 anos, a morte de Juscelino ainda soa incrédula e mal explicada.
Agosto sempre reservou surpresas para a incipiente república! A renúncia de Jânio Quadros, pode-se dizer, levou o país ao instável governo de Jango, que culminaria mais tarde no Regime Ditatorial. De todos os fatos, cuja característica predominante é a surpresa, nenhum ocorreu em meio a tamanha reviravolta política como a morte de Campos. Um voo mortal ratificou para a eternidade o nome do político pernambucano na história nacional. Sem desmerecer o ilustre legado político da família Arrais, o que se ouve agora é a falta que um político de vigorosos e modernos ideais fará a um país que sempre acaba tendo que escolher entre duas vias.

Passado o abalo causado pela tragédia, é o momento de analistas, políticos, curiosos e descrentes sentarem e darem vez ao pragmatismo. A imprensa toma por certa a nomeação de Marina Silva pelo PSB, como sucessora natural de Campos. A mesma Marina Silva, responsável por abocanhar 20 milhões de votos (19,33% dos votos válidos) em 2010, e levar a decisão presidencial para o 2º turno.
Dessa vez, seja por confluência dos astros ou por mera cagada no jargão popular, ela volta ao jogo político muito mais forte do que era como vice. A pesquisa Datafolha publicada hoje outorga a Marina 21% das intenções de voto, contra estáveis 36% de Dilma e temerosos 20% de Aécio. Vale lembrar que a pesquisa foi realizada imediatamente após a confirmação da morte de Eduardo Campos.

O que o brasileiro precisa refletir agora é simples: quem é Marina? O que ela tem de diferente da Marina de 2010? Vale lembrar que estamos lidando com a candidata, cuja história pessoal mais se aproxima da do ex-presidente Lula. Não parece nada, mas a gente sabe onde essa história de superação pode dar!
Evangélica de criação e defensora de posições retrógradas em relação ao aborto, por exemplo, a candidata emergiu como a personificação da famigerada “terceira via”, como uma alternativa para o fim do dualismo PT-PSDB. Sua história de luta se originou no combate aos vilões ambientais e, como ministra do meio ambiente no período Lula, foi enfática ao afirmar que o modelo de desenvolvimento praticado era não só incipiente mas também retrógrado e perigoso para o futuro do país. Entrou para a estatística dos ministros “caídos”. Agora trata-se de uma candidata com reais chances de ganhar a corrida eleitoral! E pasmem: sem roubar votos de ninguém.

No comparativo das duas últimas pesquisas do Datafolha, os candidatos Dilma e Aécio não possuem variações consideráveis que expliquem a ascensão de Marina Silva. Parece que o exército dos indecisos encontrou a terra prometida e viu em Marina a ilustração da validade de um voto.

Pois é, caro leitor: em uma semana um presidenciável morre, a política brasileira passa dias de limbo, transformam uma vice inexpressiva em uma real candidata com reais chances de vitória num segundo turno, que é cada vez mais certo, e nós, meros mortais ou meros observadores, embora tenhamos faca e queijo nas mãos, também não podemos arriscar o que acontecerá até 5 de outubro. E agora, quem dá as cartas?      

sexta-feira, 28 de março de 2014

50 Anos do Golpe: Da aceitação à crise

O que a literatura brasileira ensinou para as gerações posteriores ao Golpe de 64 ainda é - e provavelmente é o que sempre prevalecerá - a "versão oficial" da sociedade brasileira. Isso significa dizer que, a partir do momento que a versão de um golpe é contada, toma-se como verdade a submissão de toda uma sociedade imposta aos desmandos militares. Caro leitor, e se dissermos que nem sempre foi assim? Hoje, o Partido ao Meio fala do início da era militar na história recente. Humberto, Artur, Emílio...os nomes pouco familiares para a história nacional, escondidos por trás de sobrenomes carregados de significados!

Na última leitura chegamos ao início do Golpe, com Castello Branco...o Humberto aí de cima! Não é o início da repressão porque não há repressão sem imposição. E a palavra imposição não pode caracterizar aquele período. Uma larga camada da sociedade brasileira era a favor do golpe, ou revolução, como era chamado o ato. Parece coisa de norte americano mas é verdade: o Brasil tinha medo do comunismo e todos que eram contra os privilégios da elite ou que, pelo menos, queriam fatiar o bolo, eram taxados como comunistas. Em entrevista a uma rádio, pouco tempo após o golpe, o então governador do Estado da Guanabara, Carlos Lacerda, pronunciou palavras de claro apoio à "tomada das rédeas da pátria" por parte das forças armadas. De fato, Castello Branco não representava nem parte do que veio a ser a ditadura com Costa e Silva. Claro defensor da linha dura do regime, Artur Costa e Silva distancia ainda mais o país do retorno à democracia. Nessa altura do campeonato, o leitor pode imaginar o que foi feito com JK, Jango e cia? Pois é, todos exilados, com direitos políticos cassados e alguns, como é o caso de Jango, com processos criminais nas costas. Neste momento, a sociedade já estava nas ruas. Estudantes, comunistas, não-comunistas...até quem apoiou o regime, sentiu-se de certa forma traído, como foi  caso de Lacerda. A sociedade não tinha apoiado o que estava acontecendo.
Nesse meio tempo a economia ia bem, os investimentos estrangeiros no país eram vultuosos e a organização econômica da ditadura contava com nomes de peso como Denfim Netto na pasta da Fazenda. Foi no governo de Costa e Silva que foram baixados os famigerados atos institucionais, inclusive o temido AI-5 que suprimira liberdades individuais e direitos políticos, dando acima de tudo, mais poder à ditadura.

Acometido por uma trombose, Costa e Silva é substituído pelos militares e tem início outra fase da Ditadura Brasileira: a era Médici. A intensificação da repressão aos atos contrários ao governo marcou o mandato do 3º militar a ocupar a chefia do Estado Maior. O que se observa neste momento é uma tentativa gradual do governo de trazer a população novamente para o lado do poder. Com alto apelo publicitário, a intenção era enfraquecer os movimentos populares que tentavam minar toda a supressão de direitos iniciada com o endurecimento da ditadura. Estávamos no auge do milagre econômico. O país era um canteiro de obras que e de investimentos. A economia crescia a taxas elevadas e os movimentos de guerrilha eram gradualmente desorganizados pelo governo.

No próximo texto: Geisel, a conta do "milagre econômico bate a porta, Figueiredo e a abertura política. Acompanhem!

quinta-feira, 13 de março de 2014

50 anos do Golpe: A ascensão da ideia.

O Partido ao Meio, ao longo deste mês, irá relembrar o inesquecível! Depois de 50 anos do Golpe Militar de 64, o país parece viver, de certo modo, a mesma realidade - guardadas as devidas proporções - que possibilitou a ascensão militar ao poder. Uma série de quatro textos que reavivarão na sua memória, leitor, como foi possível "adormecer o gigante" por tanto tempo. De situação à oposição coagida, a esquerda brasileira se tornou alvo das taxações norte-americanas, e pasmem, brasileiras também. Numa época em que falar em reforma agrária ou direitos de classes mais pobres era "coisa de comunista", não sobrava clero nem classes abastadas brasileira que não fossem favoráveis à "tomada das rédeas" por parte da forças armadas.

Para que o texto não seja um resumo de uma aula de história, conto com o ensino médio de todos para passarmos batidos por detalhes óbvios!
À época, Jânio Quadros era o presidente eleito, democraticamente(para os quesitos de democracia da época), e da mesma maneira, João Goulart - por eleições separadas - seu vice. Tudo corria mais ou menos bem abaixo dos trópicos quando Jânio decidiu vagar a cadeira presidencial achando que o povo lhe daria "cobertura". Dito e não feito! Jânio entrega a presidência para o vice, que enfrentou percalços até chegar ao poder. Com a retórica combativa de Jango, a elite brasileira não olhava com bons olhos para os planos do presidente. Como se não bastasse sua tendência para setores menos favorecidos, os norte-americanos estavam ávidos para arrematar mais uma democracia sul-americana. Como é sabido por todos, quando os americanos querem...
Dito e feito. Jânio renuncia durante uma viagem de Jango à China, reino do comunismo para a direita brasileira. Os militares impedem que Jango tome o poder e, há relatos de que o presidente permaneceu em São Borja, seu reduto, até que o parlamentarismo fosse implantado no Brasil. Sim, fomos parlamentaristas! Por pouco tempo, porque não colou! Por plebiscito o Brasil escolhe voltar ao regime presidencialista. Por pouco tempo, porque não colou(2). Dessa vez para os militares, ricos e pasmem, para o clero! Estes setores não podiam permitir que um governo que acenava para a China comunista, comandasse o país. Tem início o Golpe Militar de 64, ou contrarevolução como gostam os militares!

Castelo Branco toma as rédeas do poder, mas isso é papo pro próximo texto. Terminaremos este, narrando o fim trágico e insólito de João Goulart! Como se não bastasse sua expulsão da capital federal, Jango é julgado e acusado pela junta militar de crimes contra o Estado. Leitor, MÁXIMA atenção ao trecho que segue: "corrupção administrativa; aplicação indevida do dinheiro público; concessão de vantagens, favores e privilégios a apadrinhados e a organizações de classe que (...) conturbavam a vida nacional (...); diluição do princípio de autoridade e solapamento das instituições.". Esta é a transcrição dos crimes pelos quais Jango foi acusado, retirada dos arquivos da Fundação Getúlio Vargas. Peço que você reflita, sem pensamentos tendenciosos, a respeito de uma questão: estaria a esquerda brasileira fadada eternamente à autoria de crimes como os descritos acima ou estamos nós fadados à uma direita que não "muda o disco"?
Jango passa brevemente em Porto Alegre para estar com seu cunhado e ex-governador do Rio Grande, Leonel Brizola, e em seguida, segue para o exílio no Uruguai. Em seus últimos anos de vida, o ex-presidente passa a morar na Argentina onde falece vítima de um ataque cardíaco que, anos depois, nos remete aos casos mais bem orquestrados de Hollywood. A CNV(Comissão Nacional da Verdade) exuma os restos mortais de Jango para apurar fortes indícios de assassinato, devido à alteração da medicação tomada por ele. Mais uma da Operação Condor, cuja razão de existir era pura e simplesmente para promover a cooperação mútua entre as ditaduras sul-americanas.

Fatos como estes não aconteceram para serem deixados na história. A crueldade, bem como o abuso de poder que decorre da própria crueldade precisam ficar em nossas memórias para que saibamos diferenciar liberdade e resignação. Para que saibamos valorizar um voto, um direito e uma escolha! Por hoje é só.